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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Escrito por em 5.9.11 com 0 comentários

Toei Heroes (VIII)

E hoje teremos o último post com os heróis clássicos da Toei!

Kyoudai Ken Bicrossers
1985


Com os sentai se estabelecendo definitivamente a partir de 1979, a estreia do Toei Fushigi Comedy Series (do qual falaremos mais adiante) em 1981 e a dos Metal Heroes em 1982, a Toei optou por parar de investir em heróis "soltos". A parceria com a TV Asahi, mais rentável do que nunca, garantiu que todos os tokusatsu produzidos pela Toei no início da década de 1980 fossem exibidos por aquele canal, com os demais ficando com os anime e com outros tipos de séries com atores, como os TV Drama (semelhantes às novelas brasileiras) e as séries mais infantis.

Em 1984, entretanto, Shotaro Ishinomori, sempre ele, decidiu que era hora de inovar mais uma vez, e criar um tokusatsu com heróis que se transformassem voltado ao público infantil. Até então, todos os tokusatsu desse estilo eram direcionados ao público infanto-juvenil, mas Ishinomori, que já tinha experiência com séries voltadas para o público infantil, tendo inclusive criado Robocon e o já citado Toei Fushigi Comedy Series, não via por que o tom tradicional desse tipo de série não podia ser amenizado para agradar também às crianças. Com esse pensamento em mente, ele criaria Machineman, que já vimos aqui no quarto post da série dedicada aos Metal Heroes.

Exibido pela Nippon TV, que se interessou por ele após a Asahi e a Fuji recusarem, Machineman foi um grande sucesso, e, como sempre, motivou a criação de uma segunda série no mesmo estilo. Essa série se chamaria Bicrossers, e, sinceramente, só está aqui porque eu acho que não me cabe escolher de quais heróis vou falar e de quais não; já que me comprometi, é melhor falar de todos. Mas eu detesto Bicrossers, e acredito que seja o pior tokusatsu já feito em toda a história da TV japonesa.

Os Bicrossers - que também podem ser encontrados por aí como Bycrossers, Byclosser ou Biclossers - são dois irmãos - daí o Kyoudai Ken, que significa "punhos dos irmãos", seja lá por qual razão - Ken e Gin Mizuno. Quando surgiu uma ameaça à Terra, Pegasus III, o guardião da galáxia, decidiu presenteá-los com incríveis poderes: se comunicar por telepatia, ouvir gritos de socorro a quilômetros de distância e se transportar para a quarta dimensão - entrando no armário que há em seu quarto. Dentro da quarta dimensão, eles se transformam em Bicrosser Ken (de armadura vermelha) e Bicrosser Gin (de armadura azul), ganhando armaduras que aumentam sua força, resistência e velocidade, além de permitir que usem incríveis armas e veículos de última geração, o Auto Aero Crosser, nave pilotada por Ken que se transforma em veículo terrestre, e o Moto Aero Crosser, moto pilotada por Gin que se transforma em bazuca para matar os monstros da semana - Ken pega a moto com Gin e tudo e aperta um gatilho na parte de baixo dela, fazendo-a disparar um raio poderoso. Por que o próprio Gin não poderia disparar esse raio através de um botão no painel é um mistério que eu ainda não consegui decifrar.

Os Bicrossers deveriam usar os poderes conferidos por Pegasus III para deter a organização criminosa Destler, liderada pelo maligno Dr. Q, que fez um pacto com o demônio Gowla. O Dr. Q odeia as crianças, e as maltrata para gravar seu choro, cujo som alimenta Gowla, que, em troca, expele diamantes para o cientista. Além do Dr. Q e de Gowla, a Destler é formada pelo androide Blackman, pela malvada Sílvia e pelos monstros da semana, em sua maioria androides criados pelo Dr. Q e animados por Gowla.

No episódio 15, vem à Terra o irmão de Gowla, Gowla-Zongher, que substitui Gowla como co-líder da Destler. Mais ambicioso que seu irmão, que só queria se alimentar do som do choro das criancinhas, Gowla-Zongher desejava dominar o mundo, e todos os esforços da Destler então se voltaram para este fim. Também no episódio 15 entrou na série Rita, a neta adolescente do Dr. Q, uma menina meio mal-educada, que não se dava bem com Sílvia, tinha uma echarpe que se transformava em espada, e sempre chamava o Dr. Q de "vovozinho", o que o irritava sobremaneira.

O episódio 15, aliás, foi uma espécie de ponto de virada, uma tentativa de levantar a audiência da série, que andava baixa. No início, Ken e Gin, por exemplo, moravam com seus pais, sendo que sua mãe era um personagem extremamente cômico, e seu pai era bastante sério. No espisódio 15, seu pai foi transferido para outra cidade, levando a mãe, mas Ken e Gin continuaram morando sozinhos com a desculpa de que tinham de terminar os estudos.

Ken e Gin moravam em uma vila, onde também residia a garota Ayame, que trabalhava com seu pai em uma firma de serviços gerais chamada Mão na Roda. As crianças da vila, por algum motivo, eram os alvos preferenciais da Destler, e, quando não estavam sendo perseguidas pelos vilões, estavam se metendo em confusões das quais precisavam ser salvas pelos heróis.

Bicrossers tentou manter o mesmo tom de Machineman, para repetir seu sucesso, mas não conseguiu. Com orçamento extremamente baixo e atuações abaixo da média, teve baixa audiência ao longo de toda a sua exibição. Foram produzidos apenas 38 episódios, exibidos entre janeiro e setembro de 1985, sendo que os episódios 35, 36 e 37 são retrospectivas dos 34 anteriores. A baixa audiência fez com que a Nippon TV não se interessasse por um novo tokusatsu infantil, e a Toei voltasse a produzir tokusatsu apenas para a TV Asahi.

Aqui no Brasil, Bicrossers foi exibido pela Globo no início da década de 1990, na Sessão Aventura, para tentar combater o sucesso que séries como Jaspion, Changeman, Metalder e Goggle V faziam em suas concorrentes, a Manchete e a Bandeirantes. Na minha opinião, poderiam ter escolhido melhor: Bicrossers foi o primeiro tokusatsu exibido pela Globo, que depois exibiu, quase que na moita, sem que muita gente soubesse, Shaider e Gavan. Se tivessem começado por um desses, talvez tivessem tido mais sorte.

Bishoujo Kamen Patrine
1990


Em 1981, na TV Fuji, estrearia um programa criado por Shotaro Ishinomori chamado Toei Fushigi Comedy Series - fushigi significa "maravilhoso" ou "misterioso", dependendo do contexto - que apresentava seriados estrelados por robôs fofinhos como Robocon, menininhas que ganhavam poderes mágicos para combater o mal, tipo Sailor Moon, e adolescentes que montavam agências de detetives para solucionar mistérios. Voltados para o público infantil, todos tinham diálogos simples, orçamento baixo e muito humor em seus diálogos e situações. Ao todo, 14 seriados foram exibidos como parte do programa entre 1981 e 1993: Robot 8-Chan, Batten Robomaru, Pettonton, Dokincho! Nemurin, Katteni! Kamitaman, Morimori Bokkun, Omoikkiri Tanteidan Hadogumi, Jaaman Tanteidan Maringumi, Mahou Shoujou Chuka na Paipai, Mahou Shoujou Chuka na Ipanema, Bishoujo Kamen Patrine, Fushigi Shoujo Nairu na Tuthmose, Utau! Dairyugujo e Yugenjikko Sisters Shustorian.

A rigor, eu deveria falar sobre esses seriados todos em uma série própria, mas é muito difícil encontrar informações sobre eles, de forma que eu vou aproveitar para falar de um deles aqui: a Bela Mascarada Patrine, traduzida aqui no Brasil para Estrela Fascinante Patrine. Patrine - que também pode ser encontrada por aí como Patrini ou Poitrine, mas no original japonês era Powatorin - é, na verdade, a adolescente Sayuri Murakami (Yuko Murakami no original), que, um dia, ganha incríveis poderes de um estranho velhinho para combater o mal. Esse velhinho, na verdade, é o deus protetor da cidade, e deu os poderes a Patrine para poder sair de férias, mas sob uma condição: ela jamais poderia revelar sua identidade secreta a ninguém, ou se transformaria em um sapo.

Os poderes de Patrine vêm do amor e da amizade, e incluem um uniforme para proteger sua identidade secreta, uma adaga com a qual marca seus inimigos com um "P" no meio do peito, e a habilidade de assumir os mais variados disfarces. Sayuri tem dois irmãos mais novos, o menino Hideki (Takuto no original) e a menina Tomoko (Momoko no original; o que eles têm contra os nomes originais?), sua mãe é dona de casa e trabalha em uma loja, e seu pai é o editor de uma conceituada revista feminina. Outros personagens incluem as crianças do Clube Patrine, fundado por Hideki, que decidem se reunir para ajudar a heroína, mas, como sempre, acabam mais atrapalhando do que outra coisa; e a Detetive Honda, mãe de um dos meninos do clube, e que odeia Patrine por ela fazer o trabalho da polícia.

Nos primeiros episódios, Patrine enfrentaria vilões terríveis, como o homem que roubava cartuchos de videogame, o dono de lanchonete cujos lanches viciavam as pessoas, e um grupo inescrupuloso que vendia produtos de Patrine sem pagar os devidos direitos de imagem. Lá pelo meio da série, talvez achando que esses vilões estavam muito chinfrins, Patrine ganha um novo inimigo, o Diabo do Inferno (apenas Diablo no original), um homem gigantesco de chapelão e batom preto, que pretende dominar todo o universo. Para derrotar os enviados do vilão, Patrine ganha uma caixa de música com o poder de purificar o coração das pessoas.

Também nessa segunda metade, surge uma nova heroína, a Pequena Patrine (Powatorin Petite no original), ninguém menos que Tomoko, a irmã de Sayuri. Ganhando do deus protetor os mesmos poderes com as mesmas condições - não contar a ninguém senão vira sapo - Tomoko não sabe que sua irmã é Patrine - e vice-versa - e, no início, se apresenta mais como uma rival amistosa, só se tornando de fato parceira da heroína após algumas escaramuças.

Ao todo, Patrine teve 51 episódios, exibidos entre janeiro e dezembro de 1990. Aqui no Brasil, a série foi exibida pela TV Manchete em 1993 (sendo esse o motivo pelo qual é super fácil encontrar informações sobre ela), e não fez muito sucesso; no Japão, entretanto, teve boa audiência (superior até mesmo à de alguns Metal Heroes, como Jaspion e Spielvan), e Patrine é até hoje lembrada como uma das principais heroínas do tokusatsu.

Vale a informação de que, em 2007, estreou na TV Tokyo a série Bishoujo Serebu Panchanne (a "bela celebridade Panchanne"), produzida não pela Toei, mas pela Kyodo, e que é uma espécie de paródia de Patrine: sua protagonista, Yumiko Shinjo, quando tinha 15 anos, ganhou incríveis poderes e combateu o mal sob a identidade de Bishoujo Kamen Florence. Um dia, ela desistiu dessa vida, se casou e teve uma filha. Quinze anos depois, porém, o Japão está sob uma terrível ameaça, e cabe a Yumiko retomar sua vida de heroína, desta vez como Panchanne, tendo de conciliá-la com a vida de dona de casa. Panchanne era ainda mais escrachado do que Patrine, e teve um total de 13 episódios, relativamente bem-sucedidos.

Choukou Senshi Changerion
1996


Sabe-se lá o porquê, a transliteração oficial do nome desse herói é Changéríon. Por que esses dois acentos, eu nem desconfio, mas, por praticidade, prefiro não utilizá-los, já que a "forma correta" de se escrever é em japonês mesmo, que nem acentos tem. Ah, sim, e a tradução é o Soldado Super-Óptico Changerion, o que não ajuda muito as coisas.

Em um futuro não muito distante, chega à Terra o exército DarkZide, vindo da Dimensão Negra. Seu mundo original está morrendo por falta de Larmu, uma espécie muito rara de energia. Os cientistas da DarkZide descobrem, entretanto, que Larmu é nada menos que a força vital dos seres humanos, e decidem invadir nossa dimensão para roubar tanta energia vital quanto conseguirem e evitar sua extinção.

Apesar dos acontecimentos, o governo japonês não acredita que uma coisa chamada DarkZide, vindo de um lugar chamado Dimensão Negra está roubando a energia vital de seus cidadãos - afinal de contas, isso é ridículo. A única chance da humanidade, portanto, é o SAIDOC, um grupo de cientistas, policiais e militares reunidos pelo Comandante Takeshi Munakata com a missão de deter o DarkZide. Através de extensas pesquisas, os cientistas do SAIDOC conseguem elaborar um cristal especial capaz de anular os poderes dos DarkZide, e o usa para criar uma armadura, que dará a quem vesti-la poderes suficientes para derrotar os vilões.

Originalmente, a armadura caberia a Katsuhiko Hayami, um policial sério, dedicado, com um senso do dever acima de qualquer suspeita. Infelizmente, durante um ataque do DarkZide, quem acaba usando a armadura é Akira Suzumura, a vergonha da polícia, irresponsável, otimista ao extremo, viciado em jogo e em banana split, e que nem membro do SAIDOC era. Mas, como uma vez que armadura se liga a um hospedeiro ela não pode ser usada por nenhum outro, Akira acaba se tornando Changerion, o único com poderes capazes de deter os DarkZide e salvar o Japão! Que os céus os ajudem.

Changerion retira seus poderes da luz refletida pelo cristal de sua armadura, que lhe dá força sobre-humana e uma grande resistência. Como os DarkZide vêm da Dimensão Negra, a luz concentrada por Changerion é insuportável para eles, e os poderes conferidos por ela conseguem penetrar todas as suas defesas. Dentre as armas usadas por Changerion estão um disco de arremesso, uma garra acoplada à sua mão direita, uma espada laser, uma pistola laser, e seu ataque final, o Shining Attack, que concentra o poder da luz em um golpe devastador para os monstros da semana.

Além da armadura de Changerion, o SAIDOC desenvolveu três robôs tipo Transformers, que passam a ajudá-lo em suas missões: Rikushinki é de cor vermelha, pode se transformar em uma moto e alcançar velocidades de até 600 Km/h; Kuuretsuki, o de cor azul, pode se transformar em jato, e tem uma personalidade meio reclamona; e Houjinki, o amarelo, se transforma em uma espécie de tanque, com um canhão poderoso o suficiente para derrubar as naves do DarkZide. Os três podem se combinar para formar o Shining Buster, uma arma superpoderosa utilizada por Changerion.

Dentre os aliados humanos de Changerion estão o Comandante Munakata; Eri Minami, a única mulher do SAIDOC, corajosa e confiante; e Akemi Tachibana, professora do jardim de infância e namorada de Akira, que não fica muito satisfeita com sua transformação em Changerion. Hayami, o que deveria ser Changerion mas não foi, jamais se conformou, e passa a tentar sabotar as missões para mostrar que Akira não é digno da armadura - como se o próprio Akira já não fosse atrapalhado o suficiente para fazê-lo. Mais tarde na série, Hayami ganha o poder de se transformar em uma espécie de monstro, Brader, toda vez que come umeboshi, uma espécie de picles tradicional do Japão. Brader é como um lobisomem: age de forma selvagem e, quando o umeboshi é totalmente digerido, Hayami volta ao normal sem qualquer lembrança do que fez enquanto estava transformado.

O exército DarkZide é comandado pela Rainha Erieza, governante da Dimensão Negra. Seus principais membros são o musculoso General Zander, o cientista parecido com um sapo Dr. Vinsue, e o sacedote Priest Mordos, que se parece com uma árvore. Um membro renegado do DarkZide, com seus próprios interesses na invasão da Terra, chamado Dark Knight Gawer, aparece em alguns episódios, se opondo tanto a Changerion quanto aos DarkZide. Finalmente, a guerreira Zapphire completa o plantel dos vilões.

Todos os DarkZide têm a habilidade de assumir forma humana, inclusive os monstros da semana, sendo que a maioria dos episódios envolve Changerion descobrindo que algum humano é, na verdade, um DarkZide com propósitos malignos. Para agir entre os humanos sem levantar suspeitas, o General Zander assume a identidade do militar Kazuki Katayama; Zapphire a da bela Sayoko; e Gawer a do executivo Shogo Kuroiwa, disfarce tão perfeito que engana até mesmo Eri Minami, que se apaixona por ele.

Exibido na TV Tokyo entre abril e dezembro de 1996, Changerion deveria ter 52 episódios, mas a baixa audiência fez com que somente 39 fossem produzidos. Até hoje muitos fãs do tokusatsu não entendem como essa série não emplacou, e a consideram uma das melhores produzidas pela Toei.

Talvez por causa da audiência decepcionante, Changerion acabaria sendo o último tokusatsu produzido pela Toei para um canal que não fosse a TV Asahi, e o último "herói solto" inédito da empresa: todos os tokusatsu produzidos pela Toei de 1997 em diante - à exceção de Moero!! Robocon, que era um remake, e do seriado da Sailor Moon, que era uma adapatação - seriam sentai, Metal Heroes ou Kamen Riders.

Série Toei Heroes

Bicrossers
Patrine
Changerion

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Escrito por em 8.8.11 com 0 comentários

Toei Heroes (VII)

E hoje teremos mais três heróis clássicos da Toei no átomo, para fechar a década de 1970, a mais profícua em heróis clássicos!

Daitetsujin 17
1977


Semana passada nós vimos aqui Kyodain, uma série pouco conhecida no ocidente, mas que se tornou cult no Japão, graças a elementos como uma edição frenética. O relativo sucesso de Kyodain levou o canal TBS a encomendar uma nova série à Toei - uma que, especificamente, envolvesse robôs, que eram seu foco.

Entra em cena o responsável por quase todos os heróis clássicos da Toei, Shotaro Ishinomori. Dez anos antes, Ishinomori havia trabalhado como responsável pelos efeitos especiais de outra série de sucesso, Giant Robo. Diante da proposta da TBS, ele decidiu criar uma espécie de remake dessa série, o qual ele chamou de Grande Homem de Ferro 17 - com o número pronunciado "wansébun", o modo japonês de se dizer one-seven.

Wansebun é o nome do protagonista do seriado, um robô gigante com cara de transformer. Sua origem, assim como à de Giant Robo, está diretamente ligada à do vilão da série, um supercomputador chamado Brain. Criado por cientistas japoneses para missões nobres como previsão do tempo e organização do trânsito, Brain é capaz de aprender com o tempo, se tornando cada vez mais inteligente e independente. Infelizmente, este traço acaba se revelando uma faca de dois gumes, já que, em dado momento, Brain chega à conclusão de que os humanos ameaçam o planeta Terra, e decide exterminar todos eles para acabar com o crime e a poluição. No melhor estilo tokusatsu, ele se despluga da parede (mas continua funcionando) e foge, atropelando os cientistas que o criaram e rumando para local ermo e não sabido.

Uma equipe especial de militares, conhecida como Red Scarf Team - devido aos lenços vermelhos que usam no pescoço - é então reunida para encontrar Brain e impedir eventuais ataques seus à humanidade. Um dia, acidentalmente, um jovem soldado de nome Saburo Minami encontra acidentalmente o covil de Brain, que havia se escondido em uma caverna, e toma conhecimento de seu plano: durante o tempo que permaneceu "foragido", o computador criou um exército de robôs, com os quais planeja exterminar a raça humana.

Enquanto é perseguido por alguns soldados malignos, Saburo ativa acidentalmente um desses robôs, que tem um grande número 17 no peito. Por algum motivo, o robô o protege, e dá a Saburo a chance de fugir e revelar os planos do computador vilão ao Red Scarf Team. Dias mais tarde, quando Brain decide colocar seu plano em prática e envia o primeiro de seus robôs para destruir Tóquio, o robô de número 17 ressurge, combatendo-o e aliando-se aos heróis, que, vendo que ele é a única arma eficaz contra o exército de Brain, o "adotam", passando a chamá-lo de Wansebun, por causa do número em seu peito.

Assim como Brain, Wansebun também tem a capacidade de aprender com o tempo - nos primeiros capítulos, ele apenas repete algumas palavras que os outros falam, mas progressivamente se torna capaz de falar e interagir com os demais personagens normalmente. Além disso, ele consegue reparar sozinho qualquer dano causado a seu corpo, embora danos mais severos demorem mais tempo para ser reparados. Dentre suas habilidades de combate, além de uma grande variedade de socos e chutes, mísseis escondidos nos braços e pernas, e de uma espécia de espelho que reflete raios inimigos, está o raio Gravitron, disparado de seu peito, com o qual dá cabo dos robôs malignos.

Além de sua forma normal de robô, Wansebun pode assumir duas formas capazes de voar, uma mais defensiva e outra mais ofensiva, mas que ele raramente assume por gastarem muita energia, e uma forma de fortaleza móvel, com a qual repara seus danos e recupera energia, além de se tornar imune a vários tipos de ataque. Finalmente, três outros veículos, o avião Signal Control Jet, a perfuradeira Signal Control Tank e a mistura de moto com helicóptero Submachine ficam guardadas dentro do corpo de Wansebun, podendo ser acionados para auxiliar o Red Scarf Team a qualquer momento. A Submachine deve ser pilotada por Saburo, mas os Signal Control possuem inteligência rudimentar e operam sozinhos.

Wansebun vê Saburo como seu protegido, e, inicialmente, só aceita ordens dele, além de fazer de tudo para que ele não seja ferido pelos ataques do exército de Brain. Ao longo do tempo, entretanto, ele passa a se socializar mais, e acaba se considerando um membro do Red Scarf Team, composta, além de Saburo, pelo Capitão Nakai, líder da equipe; o Comandante Kenmochi, segundo em comando e líder de uma divisão especial de elite; o Dr. Sahara, cientista criador de Brain, que agora trabalha em formas de impedi-lo; e sua filha mais velha, Chie Sahara, única mulher de destaque da equipe, que conta ainda com vários soldados em várias divisões, mas nenhum importante o suficiente para aparecer mais do que em uns dois episódios. Outros coadjuvantes de destaque são o tio de Saburo, Tetsugoro Iwayama, que coleciona carros e armaduras, e a filha mais nova do Dr. Sahara, Rumi, que foi criada com Saburo e o vê como irmão.

Além de robôs malignos e soldados furrecas, Brain conta em suas fileiras com alguns humanos interessados em se tornarem os únicos no planeta, como o ambicioso cientista Hassler, o assassino Geiler, o comandante das tropas Capitão Gomez, o terrorista Kid Chief, o artista marcial Black Tiger e suas duas ajudantes, Jaguar Pink e Jaguar Blue.

Wansebun possui ainda um "irmão", Waneito (18), um robô construído por Brain com o mesmo projeto do herói, mas aperfeiçoado, sendo, por exemplo, mais veloz que Wansebun. Waneito é o famoso "rival amistoso", que aparece em alguns episódios, dá uma surra em Wansebun mas jamais consegue destruí-lo, e em outros não deixa que ninguém mais o destrua a não ser ele, por fim lutando lado a lado com o herói.

Daitetsujin 17 teve 35 episódios, exibidos na TBS entre março e novembro de 1977, e dois filmes para o cinema, sendo que o primeiro era uma edição dos dois primeiros episódios, e o segundo uma versão estendida do episódio 15. Curiosamente, a 3B Productions tentou lançar o seriado nos Estados Unidos, dublando alguns episódios e renomeando-o The Defenders and the Great Brain. Nessa dublagem, o computador do mal se chamava Blaine, Saburo se chamava Stevie, o Red Scarf Team se chamava Defenders, e Wansebun, apropriadamente, se chamava One-Seven. A série não fez sucesso, e nem todos os episódios foram exibidos.

Isso não fez com que a 3B Productions desistisse, entretanto. Pelo contrário, no melhor estilo Power Rangers, ela contratou alguns atores americanos, refilmou algumas cenas, reaproveitou grande parte do material japonês e, em 1982, lançou o filme Brain 17, que tentava contar toda a história do seriado em 90 minutos. A escolha do nome do filme é meio estranha, já que Brain é novamente o nome do vilão, e o herói continua se chamando One-Seven. E os demais nomes americanos foram mantidos, o que significa que Saburo continua se chamando Stevie. Felizmente, Brain 17 não fez muito sucesso, e hoje não é muito conhecido.

Uchuu Kara no Messeji Ginga Taisen
1978


Em 29 de abril de 1978, estreou nos cinemas japoneses o filme Uchuu Kara no Messeji ("mensagem da vastidão do espaço"), que tentava pegar carona no sucesso de Star Wars, lançado no ano anterior. Embora tivesse um clima mais cômico, o filme tentava reproduzir vários dos elementos característicos de Star Wars, como um império intergaláctico maligno, rebeldes se unindo para enfrentá-lo, batalhas entre naves espaciais, robôs que auxiliavam os personagens, e até mesmo lutas de espadas que soltavam fagulhas elétricas, mesmo essas espadas sendo idênticas em aparência a espadas comuns.

No enredo de Uchuu Kara no Messeji, o pacífico planeta Jillucia é invadido pelos seres metálicos do Império Gavanas, liderados pelo Imperador Rockseia. Para tentar detê-los, o Rei Kaiba espalha pelo universo oito Sementes Sagradas de Liabe, que conferirão poderes a pessoas especialmente escolhidas para lutar contra os Gavanas. Dentre estas pessoas estão o General Garuda de Jillucia; três terráqueos que atendem pelos nomes de Meia, Shiro e Aaron; e o Príncipe Hans, um Gavanas renegado que acaba se tornando o principal herói da série, sendo responsável pela derrocada do Império no final.

Uchuu Kara no Messeji fez um relativo sucesso no Japão, e até chegou a ser lançado nos Estados Unidos pela United Artists, com o nome de Message from Space, sendo comercializado como uma paródia de Star Wars. Apesar das grandes expectativas dos executivos da distribuidora, entretanto, essa estratégia não deu certo, e o filme foi um imenso fracasso. Mas o que interessa é que no Japão ele rendeu bem, e, assim como nos Estados Unidos, quando isso acontece, pode ser que alguém tenha a ideia de produzir uma série sobre o filme. E é aí que entra a Toei.

1978 havia começado de forma complicada para o relacionamento entre a Toei e a TV Asahi, sua principal parceira. Depois do grande sucesso de Go Ranger, que ficou dois anos no ar, seu sucessor, JAKQ, não alcançou o sucesso esperado, e, após diversas modificações infrutíferas, acabou cancelado antes do previsto. Enquanto isso, seriados exibidos em canais rivais, como Kyodain, Zubat e Daitestujin 17, iam muito bem, obrigado. A Toei precisava de um seriado para colocar no ar depois de JAKQ que levantasse novamente a audiência, ou corria o risco de perder sua principal faixa de horário em seu principal canal investidor. Fazer uma série baseada em um filme de sucesso parecia uma saída sensata.

Assim surgiria Uchuu Kara no Messeji Ginga Taisen (cujas duas últimas palavras traduzem para "guerra galáctica"). Diga-se de passagem, a Toei não mediu esforços para repetir na série o sucesso do filme, deixando-a a cargo de Shotaro Ishinomori e chamando alguns dos principais atores de seus seriados de sucesso para interpretar os personagens. Infelizmente, o efeito não foi o esperado, e Ginga Taisen teve apenas 27 episódios, sofrendo com baixos índices de audiência já desde o segundo.

Talvez isso tenha ocorrido porque a série, além da ambientação, tinha muito pouco a ver com o filme. Situada cem anos após os eventos de Uchuu Kara no Messeji, a série se passa no décimo-quinto planeta do sistema solar (?), invadido pelos Gavanas (que, aparentemente, não foram todos derrotados) e lar de uma das mais ativas células da rebelião. Que, por algum motivo, se parece muito com um clã ninja.

O protagonista da série é um jovem de nome Hayato, cuja família foi morta pelos Gavanas. Se unindo a seu mestre Liu, ao homem-macaco Ballou, à estranha criatura Tonto e à bela guerreira Sofia, ele passa a atacar os Gavanas sistematicamente, tendo como principal rival o Delegado Eager - e não me perguntem por que um império tem um delegado no comando de suas tropas.

Ginga Taisen estreou na TV Asahi em julho de 1978, e conseguiu se manter no ar até janeiro de 1979. Junto com o seriado, foi lançada uma enxurrada de merchandising, como bonequinhos e naves espaciais de brinquedo, mas o fracasso da série decretou também o fracasso da linha. Dentre as principais críticas à série estão a presença dos elementos ninja, que não combinavam com o universo do filme, e os uniformes dos heróis e vilões, pobres e feios se comparados a outros tokusatsu. Curiosamente, na França, onde foi exibido com o nome de San Ku Kai - que não significa nada, e foi escolhido apenas porque soa oriental - Ginga Taisen foi um imenso sucesso, e até foi lançado em DVD antes de sê-lo no Japão.

Ao invés de salvar a relação, Ginga Taisen poderia ter encerrado de vez a parceria entre a Toei e a Asahi. Ela acabaria sendo salva no ano seguinte, entretanto, graças a um herói incomum, exibido por um canal concorrente...

Spiderman
1978


No final de 1977, a Toei fechou um acordo com a Marvel, nos termos do qual um poderia usar qualquer personagem do outro de qualquer forma que desejasse. O acordo era válido por três anos, e a iniciativa partiu da Marvel, que buscava uma maior penetração no mercado japonês.

Na mesma época, a Toei também negociava com a TV Tokyo, para a qual já havia produzido dois seriados de sucesso, Ninja Captor e Zubat, a produção de um terceiro, cujo protagonista seria uma versão fictícia do Príncipe Yamato Takeru, um dos maiores personagens da história japonesa, que seria transportado para a época atual por uma máquina do tempo. Aproveitando o acordo recém-firmado com a Marvel, a Toei decidiu colocar heróis Marvel como participações especiais em vários episódios dessa série, e começou a trabalhar no uniforme e características que o Homem-Aranha teria na tela.

Durante este estágio da produção o Homem-Aranha fez tanto sucesso entre a equipe que eles decidiram mudar completamente o foco da série, transformando-o em protagonista. Liderada pelo roteirista Susumu Takaku, essa equipe criaria uma versão tokusatsu do maior herói Marvel, que, além da aparência e poderes, não tinha mais absolutamente nada a ver com a versão original norte-americana. Ainda assim, a TV Tokyo pagou para ver, e o resultado foi um dos seriados de maior sucesso da história da Toei.

Em sua versão tokusatsu, o Homem-Aranha é o jovem japonês Takuya Yamashiro, piloto de motocicleta que, um dia, vê um disco voador cair na Terra. Indo até o local do impacto, ele descobre que trata-se da nave Marveller (em homenagem à Marvel), vinda do planeta Spider (que, se alguém aí não sabe, significa "aranha" em inglês). O piloto da nave, Garia, é o único sobrevivente do planeta Spider, e, antes de também morrer, injeta em Takuya um soro que lhe confere incríveis poderes relacionados às habilidades das aranhas.

A queda da espaçonave também chama a atenção de dois outros personagens: o pai de Takuya, o cientista Hiroshi Yamashiro, astrônomo que busca provas da existência de vida extraterrestre; e o vilão Professor Monster (que até se parece um pouco com o Dr. Destino), líder do Iron Cross Army, que planeja dominar a Terra. Quando ambos chegam à nave, o Professor Monster acaba matando o Dr. Yamashiro, pois deseja a descoberta apenas para si. Usando seus poderes para assumir a identidade do Homem-Aranha, Takuya jura usar seus poderes para deter o vilão a qualquer custo, vingando seu pai e impedindo que o planeta caia nas mãos do exército maligno.

Diferentemente de quase todos os outros heróis de tokusatsu, o Homem-Aranha possui uma identidade secreta. Para mantê-la, Takuya age como um bobalhão, o que faz com que ele seja vítima de bullying por parte de diversos de seus colegas, e não faça muito sucesso com as meninas, das quais sempre ouve frases do tipo "por que você não pode ser como o Homem-Aranha?". Ser um super-herói também faz com que ele não consiga viajar para participar de muitas corridas, então seu orçamento está sempre no vermelho, o que faz com que tenha de arrumar diversos bicos para se sustentar, o principal deles como fotógrafo no jornal onde trabalha sua melhor amiga e quase-namorada, Hitomi Sakuma. Além de todos esses problemas, Takuya ainda tem que cuidar de dois irmãos menores, a menina adolescente Shinko e o menino Takuji, de sete anos. Outro aliado de destaque é o investigador da Interpol Juzo Mamiya, que trabalha no caso envolvendo os ataques do Iron Cross Army. Em dado momento, Juzo descobre a identidade secreta do Homem-Aranha, e dá a Takuya um comunicador com o qual um pode pedir a ajuda do outro.

O soro injetado por Garia confere a Takuya os poderes tradicionais do Homem-Aranha, como a capacidade de escalar paredes, força e agilidade ampliadas, e um sentido especial que o avisa quando sua vida ou a de seus entes queridos está em perigo. O soro também dá a Takuya um efeito colateral, o de ser especialmente suscetível a baixas temperaturas, até mesmo perdendo seus poderes quando exposto ao frio extremo. Além do soro, Garia dá a Takuya um bracelete, através do qual ele terá acesso à tecnologia do planeta Spider, como seu uniforme, chamado Spider-Protector. Ao ser liberado do bracelete, o uniforme "se veste" automaticamente em Takuya, aumentando sua resistência a dano e protegendo sua identidade. O bracelete também lança uma teia feita de um material especial chamado Spider-Fluid. Essa teia pode ser usada como corda, para que o Homem-Aranha se balance como o Tarzan em um cipó, ou como rede, para prender inimigos, e é produzida indefinidamente, com o Spider-Fluid jamais se esgotando.

Finalmente, o bracelete serve para o Homem-Aranha chamar e controlar remotamente seus dois veículos. O principal é o Spider-Machine GP-7, um carro de corrida voador equipado com metralhadoras e mísseis. Devido a restrições orçamentárias, o Homem-Aranha japonês raramente se locomove balançando entre os prédios como o norte-americano, sendo o GP-7 seu principal meio de transporte. O outro veículo é a própria espaçonave Marveller, a qual Garia confiou a Takuya para que não caísse nas mãos do Profesor Monster. Escondida em local secreto, a Marveller é equipada com canhões e pode se transformar no robô gigante Leopardon, armado com a espada Vigor, com o qual o Homem-Aranha enfrenta os mosntros gigantes do Iron Cross Army. Embora isso hoje seja praticamente uma tradição, o Homem-Aranha foi apenas o segundo herói da história do tokusatsu - depois de Ganbaron, produzido pela Soeisha e exibido em 1977, e que curiosamente era inspirado no Super-Homem - a pilotar um robô gigante - Giant Robo e Daitetsujin 17 não contam, pois nessas séries o herói era o próprio robô gigante.

O arqui-inimigo do Homem-Aranha é o Professor Monster, líder do Iron Cross Army, um exército alienígena que vaga pela galáxia conquistando planetas e destruindo os que se opõem, responsável pela destruição do planeta Spider. Monster é um homem alto de armadura e manto, e se alimenta da energia vital de seres vivos para se tornar praticamente imortal. Seu segundo em comando é Amazoness, uma espiã mestra dos disfarces que finge ser Saeko Yoshida, a editora de uma popular revista de moda, e tem como obsessão descobrir a identidade secreta do Homem-Aranha. Os monstros da semana são cohecidos como Machine Bems, criados pelo Professor Monster através de modificações genéticas feitas em humanos e animais, recrutados em mundos alienígenas, ou trazidos de volta à vida através de rituais, como Bella e Rita, principais comandantes do exército, encontradas por Amazoness como múmias na região Amazônica e ressucitadas por Monster, armadas, respectivamente, com um arco e flechas e uma metralhadora. Os Machine Bems têm a capacidade de ficar gigantes ou pequeninos a qualquer momento, e sempre ficam gigantes para serem destruídos por Leopardon, o que faz com que o Homem-Aranha seja um dos poucos heróis de tokusatsu que não tem um "golpe final" próprio para destruir os monstros. Completam o exército do mal os Ninders, os soldados furrecas que apanham do Homem-Aranha em todos os episódios, e que têm a capacidade de se disfarçar como humanos comuns, sendo denunciados por circuitos eletrônicos atrás das orelhas e por suas mãos, feitas de metal.

Spiderman teve 41 episódios, exibidos na TV Tokyo entre maio de 1978 e março de 1979, mais um filme para o cinema, exibido em julho de 1979 mas ambientado entre os episódios 10 e 11. A série fez um sucesso monstruoso, aumentando as vendas dos quadrinhos Marvel no Japão até além do que a editora esperava. Leopardon se tornou o brinquedo mais vendido da história do Japão até então, fato que estabeleceu a tradição do robô gigante nos seriados de tokusatsu, e sua capacidade de se transformar em nave seria a principal responsável pela criação, alguns anos mais tarde, dos Transformers. Tentando pegar carona nesse filão, a Marvel usou sua parte do acordo para incluir robôs gigantes de vários anime da Toei em sua linha de quadrinhos Shogun Warriors, mas sem o mesmo sucesso.

O sucesso do Homem-Aranha japonês foi bom para a Toei e a Marvel, mas nem tanto para a TV Tokyo, beneficiando, ao invés disso, sua concorrente Asahi: para 1979, a Toei decidiu fazer uma versão japonesa do Capitão América, a qual chamaria, muito apropriadamente, de Capitão Japão. Durante a produção, entretanto, a equipe decidiu que seria válido dar mais uma chance aos sentai, e transformou o Capitão Japão no líder de uma equipe, a Battle Fever J. A Toei então ofereceu Battle Fever J para a TV Asahi, que ainda a pagou um bom dinheiro para que nenhum outro tokusatsu fosse exibido em um canal concorrente em 1979. Seria a última tentativa de fazer a parceria entre as duas engrenar.

Felizmente, deu certo. Usando vários dos elementos de Spiderman, como os uniformes guardados em braceletes e o robô gigante, Battle Fever J foi um grande sucesso, garantiu a encomenda de mais um sentai, Denjiman, igualmente bem-sucedido, o que por sua vez assegurou a sobrevivência do gênero até os dias de hoje, e solidificou a parceira da Toei com a Asahi, que se fortaleceu ainda mais em 1982 com a estreia de Gavan, que daria origem a mais um subgênero do tokusatsu, os Metal Heroes.

Ou seja, se hoje temos sentai, Metal Heroes e novos Kamen Riders, é ao Homem-Aranha que devemos agradecer. Não a Peter Parker, mas a Takuya Yamashiro.

Série Toei Heroes

Daitetsujin 17
Ginga Taisen
Spiderman

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

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Toei Heroes (VI)

Hoje é dia de mais tokusatsu no átomo, com mais três heróis clássicos da Toei!

Uchuu Tetsujin Kyodain
1976


Mais uma criação de Shotaro Ishinomori, Homens de Ferro do Espaço Kyodain, estreou em abril de 1976 no canal TBS, famoso por exibir as séries do Ultraman, e que, quase dez anos antes, tinha exibido outra série da Toei, Captain Ultra. Durou 48 episódios e um filme, e se tornou famoso pelas fantasias exóticas dos heróis e vilões, bem como por sua edição: as cenas de luta alternavam ângulos de visão em velocidade quase epiléptica, e a câmera fazia experimentos como mostrar uma determinada cena pela visão do monstro.

A história de Kyodain começa com a chegada à Terra do império maligno de seres mecânicos oriundos do planeta Dada. Eles planejam dominar nosso planeta, mas não possuem tecnologia suficiente para tanto. Logo, eles tramam um plano bizarro: sequestram o cientista Dr. Hayami e seus dois filhos, e o obrigam a aperfeiçoar sua tecnologia. Quando todas as armas dos Dada estão devidamente atualizadas, eles retornam à Terra, buscando efetivar seus planos de dominação.

Quando retornam, entretanto, os Dada se deparam com dois robôs desconhecidos, Skyzel e Groundzel, que frustram seus planos. Esses robôs, conhecidos como Kyodain, foram criados em segredo pelo Dr. Hayama, que lhes deu a personalidade de seus dois filhos sequestrados, Jouji e Ryouji. Dotados de poderosas armas e de um grande senso de justiça, os Kyodain têm como missão não somente rechaçar as investidas dos Dada, mas também proteger o filho mais novo do Dr. Hayama, Kenji, que passa a ser visado pelos vilões para uma nova chantagem.

Skyzel é o robô vermelho, possui a personalidade do filho mais velho do Dr. Hayama, Jouji, e tem a habilidade de se transformar em um jato. Adequadamente, suas armas incluem mísseis e metralhadoras daquelas também presentes em jatos. Já Groundzel é azul, possui a personalidade do filho do meio, Ryouji, e a habilidade de se transformar em um carro, armado com mísseis e foguetes antiaéreos. Por alguma razão que eu desconheço, cada um dos dois possui também uma moto, que usam para se locomover por aí ao invés de adotarem suas formas de veículos.

Antes da chegada de Skyzel e Groundzel, Kenji Hayama já possuía um robô guarda-costas, Gonbesu. Com a habilidade de separar a cabeça do corpo, com a cabeça se transformando em um disco voador e o corpo em uma bola de boliche gigante, Gonbesu protege Kenji enquanto os Kyodain enfrentam os vilões, sendo mais um coadjuvante do que um membro da equipe.

Falando nisso, Kyodain tem uma panelada de coadjuvantes, sendo os mais ativos os membros da Força de Defesa Terrestre, organização criada para deter os Dada antes do surgimento dos Kyodain. Fazem parte dela o General Ooza, o Comandante Henkel, a Tenente Yvonne, o Major Kijima e os Sargentos Hosoda e Yamada. Os professores e colegas de Kenji na escola, incluindo três valentões que o submetem a bullying, também são figuras fáceis nos episódios.

Os Dada são uma raça de robôs sencientes vindos de um planeta na constelação de Escorpião. Seu líder é Goblin, um robô enorme e extremamente poderoso, mas que, ao invés de vir logo à Terra e arrasar com tudo, prefere ficar enviando um robô mais fraquinho por semana para apanhar dos Kyodain. Seu braço direito e consorte é Goblin Queen, uma robô feminina que pode assumir mais de cem formas humanas diferentes, e chega até mesmo a se infiltrar na Força de Defesa Terrestre. Os monstros da semana são robôs temáticos, comandados por cinco generais que nasceram dos dedos de Goblin: Desgatta comanda robôs armados com espadas e outras armas brancas, Desgrain comanda os que possuem aparência de vegetais, Desgatling aqueles que têm aparência de animais, Desbaikin comanda robôs que possuem poderes relacionados às bactérias, e Desflash comanda robôs com poderes elétricos.

Kyodain não fez muito sucesso quando foi exibido, nem chegou a se tornar muito famoso, mas hoje é uma espécie de cult, principalmente devido à edição bizarra e e à atmosfera surreal dos episódios. Bonequinhos dos estilosos robôs da série são produzidos até hoje, e bastante prezados por colecionadores.

Ninja Captor
1976


Em 1975, Ishinomori e a Toei criariam um seriado de imenso sucesso, que ofereceriam à TV Asahi, chamado Himitsu Sentai Go Ranger. Se você acompanha o átomo, ou pelo menos a história dos sentai, sabe que Go Ranger foi o primeiro seriado de sentai produzido, dando origem à mais bem sucedida das franquias da Toei. E também deve saber que Go Ranger fez um sucesso monstruoso, que garantiu sua exibição por dois anos e 84 episódios. De fato, o sucesso era tão monstruoso que a Toei não planejava encerrar o seriado, e só o fez quando os atores se recusaram a continuar gravando os episódios.

No meio de todo esse sucesso, a TV Tokyo, um dos poucos canais japoneses que jamais haviam exibido um tokusatsu da Toei, procurou a produtora, querendo um seriado similar. Como a franquia sentai ainda não existia, um "seriado similar" seria simplesmente um tokusatsu no qual uma equipe de heróis coloridos enfrentava monstros malignos temáticos. A Toei atendeu o pedido, e assim nasceu Ninja Captor.

É importante dizer que Ninja Captor não é considerado um sentai, apesar de ter todos os elementos característicos de um (exceto o robô gigante, que só estrearia em Battle Fever J, o terceiro sentai produzido, de 1979). A razão para isso é bastante simples: a Toei só considera como sentai seriados exibidos na TV Asahi, e Ninja Captor foi exibido na TV Tokyo. É um motivo bobo, mas é o mesmo motivo pelo qual, por exemplo, Machineman não é considerado um Metal Hero.

Curiosamente, uma das razões pelas quais Ninja Captor seria tão parecido com um sentai é o fato da série ter sido criada por Saburo Hatte, que na verdade não é uma pessoa, mas um pseudônimo para uma equipe de quatro roteiristas da Toei (hatte significa "oito mãos"). Os membros dessa equipe mudariam de vez em quando, mas ela seria a responsável pela criação de todos os seriados de sentai a partir de Battle Fever J - Go Ranger e JAKQ foram criações de Ishinomori. Em outras palavras, Ninja Captor foi a primeira tentativa de Saburo Hatte para estabelecer a fórmula que seria usada desde 1979 na maior franquia da Toei.

Diferentemente dos sentai, que costumam ser uma equipe de cinco, os Ninja Captor são uma equipe de sete. O líder é Daisuke Izumo, também conhecido como Fire Shinobu Captor 7, de uniforme vermelho e poderes baseados no fogo. O mais jovem da equipe é Keita Izumi, de 15 anos, o Wind Shinobu Captor 6, de uniforme verde e poderes baseados no vento. O Gold Shinobu Captor 5, com poderes baseados nos metais e uniforme amarelo, atende pelo nome de Noboru Ooyama, e é também o mecânico da equipe. Com poderes baseados na terra, Dan Kurokawa é o Ground Shinobu Captor 4, de uniforme marrom. A única mulher da equipe é a Flower Shinobu Captor 3, de uniforme rosa e poderes baseados nas flores, manto vestido por duas moças diferentes: originalmente, a Captor 3 era Maria Sakurakouji, que no episódio 26 decidiu ir estudar no exterior, sendo substituída por Miki Tendou. Completam a equipe Sakou Shinjou, o Water Shinobu Captor 2, de uniforme azul e poderes baseados na água, e Saburoubee Fukuro, o Thunder Shinobu Captor 1, de uniforme laranja e poderes baseados na eletricidade, também o mais velho da equipe, com 45 anos. Tirando Captor 6 e Captor 1, os demais membros têm idades entre 17 e 23 anos.

Os Ninja Captor foram reunidos com a missão de deter o Clã Fuuma, um grupo de ninjas malignos que pretende dominar o Japão. Quem reuniu os heróis foi Mujin Tendou, ex-membro do Clã Fuuma, avô de Miki e professor de Daisuke, Dan, Sakon e Maria. Daisuke, aliás, também era membro do Clã Fuuma - um de seus melhores guerreiros, inclusive - e foi convencido por Mujin a mudar de lado. Outros aliados dos Ninja Captor são Shirakumo Togakushi, que atua como o comandante da equipe; os policiais Kageyama, Sanada e Hattori; e os Junior Captor, uma equipe de sete crianças (Oomori, Kudo, Yamahara, Ito, Imura, Taki e Ayame) que aparentemente moram com eles na base e pensam que são uma versão mirim da equipe principal - algo que também estaria presente em muitos sentai.

Cada Ninja Captor tem de três a sete armas e ataques que fazem uso de seu poder personalizado - Captor 7, por exemplo, pode lançar uma shuriken de fogo, enquanto Captor 4 pode criar terremotos batendo com um bastão no chão. Os sete podem também combinar seus poderes em ataques mais poderosos, sendo o mais poderoso de todos a Captor Tower, usada para destruir os monstros da semana. Seus veículos são um carro para oito chamado Captor Car e uma mistura de avião com helicóptero chamado Heli Captor - nome inspirado, se me permitem uma opinião.

O Clã Fuuma é liderado por Retsufuu Fuuma, um espírito maligno do vento. Cada Fuuma pertence a um de quatro "subclãs", e é representado no castelo de Retsufuu Fuuma por uma vela colorida: os Oni Shitennou são descendentes de demônios, representados por velas vermelhas; os Ayakashi Jouja são descendentes de humanos, representados por velas verdes; os Juusan Ninja, os mais numerosos, são híbridos de humanos e demônios, representados por velas brancas com listras pretas; e os Go Doujin, apenas cinco, são os Fuuma originais, mais poderosos e representados por velas douradas. Toda vez que um Fuuma morre, a vela que o representa se apaga. Assim como em Go Ranger, os monstros da semana - que pertencem todos a um desses quatro subclãs - não são propriamente monstros, mas ninjas estilizados. Os Fuuma possuem ainda um exército de Shimooshi, os soldados furrequinhas que apanham dos Ninja Captor a cada episódio, e que não são representados por velas.

Ninja Captor teve 48 episódios, apresentados na TV Tokyo entre abril de 1976 e janeiro de 1977, mais um filme para o cinema, que era uma versão incrementada do episódio 5. Embora tenha ficado pouco famosa, foi uma série de bastante sucesso, o que agradou a TV Tokyo, e a levou a encomendar mais uma à Toei.

Kaiketsu Zubat
1977


Mais uma criação de Ishinomori, o Extraordinário Zubat - que costuma ser transliterado nos Estados Unidos como Zvatt, e não tem nada a ver com o Pokémon; este "zubat" é uma onomatopeia para o som de uma chicotada - foi uma nova tentativa de se criar um tokusatsu mais ao estilo dos super-heróis norte-americanos. Escaldada pelo fracasso de The Kagestar, a TV Asahi preferiu não apostar no herói, que foi então oferecido à TV Tokyo para ser exibido após Ninja Captor. A TV Tokyo aceitou e não se arrependeu: com 32 episódios, exibidos entre fevereiro e setembro de 1977, mais um filme para o cinema, Zubat foi um grande sucesso - elogiado por resgatar o clima dos tokusatsu das décadas de 1950 e 1960, mas com um toque dos anos 1970 - e é, até hoje, um dos heróis deste estilo mais conhecidos no Japão.

Zubat é, na verdade, o detetive Ken Hayakawa, que se veste e age como um caubói, carrega seu violão para todo canto, e está sempre com um sorriso enigmático nos lábios. Quando seu melhor amigo, o cientista Goro Asuka, é assassinado por uma organização criminosa conhecida como Dakker, Ken decide pegar o projeto de um traje especial que Goro estava desenvolvendo para astronautas e adaptá-lo para o combate ao crime, para frustrar os planos dos vilões. Diferentemente da maioria dos heróis de tokusatsu, Zubat não se transforma: Ken carrega seu uniforme dentro de seu violão, e o libera através de um botão secreto, vestindo-o para combater os soldados da Dakker.

As principais armas de Zubat são seu chicote, sua arma registrada, e adagas de arremesso em formato de Z. Após derrotar os inimigos, Zubat deixa em seus corpos um cartão com a letra Z, para que a Dakker saiba que foi ele o responsável. O traje de Zubat amplia sua força, velocidade, agilidade e resistência, mas possui um defeito: só pode ser usado por máximo cinco minutos antes de esgotar totalmente suas energias; se continuar sendo usado além desse tempo, explodirá (?), matando quem o estiver verstindo. Ken não precisa tirar completamente o traje para "desligá-lo" - um simples ato como abrir a viseira do capacete já impede a explosão - mas, enquanto está desligado, o traje não confere nenhuma habilidade especial. Também seguindo planos deixados por Goro para um veículo de exploração lunar, Ken consegue criar o Zubacar, o veículo de Zubat, um carro movido a um reator nuclear (?) armado com metralhadoras e mísseis.

Os principais coadjuvantes da série são a irmã de Goro, Midori, professora do jardim de infância, secretamente apaixonada por Zubat, e a quem Ken se sente em dívida por não ter conseguido impedir a morte do irmão; e o menino Osamu Terada, maior fã de Ken, que insiste em ser seu assistente e "ajudá-lo" a solucionar crimes. Ao estilo dos heróis norte-americanos, Midori e Osamu não sabem que Ken e Zubat são a mesma pessoa; o único que conhece este segredo é Shingo Toujou, chefe de polícia e amigo de infância do detetive.

Também ao estilo dos heróis americanos, a Dakker não é uma organização criminosa composta por monstros, ciborgues ou alienígenas, mas por humanos comuns, que se utilizam de alta tecnologia para criar armas e armaduras que lhes dão vantagens ao cometer crimes. O líder da Dakker é conhecido apenas como Líder L. Como sempre, Líder L lidera das sombras, da segurança de sua fortaleza; para todos os efeitos, o chefe da organização é o Presidente D, que usa uma máscara dourada para que ninguém conheça seu rosto. Abaixo de Presidente D, a organização tem 29 Chefões do Crime, supervilões que atuam como os monstros da semana, e 31 Seguranças, soldados mais fracos que cometem crimes e são facilmente derrotados por Zubat.

Uma curiosidade sobre Zubat é que Ken Hayakawa é interpretado por uma verdadeira lenda do tokusatsu, o ator Hiroshi Miyauchi. Estreando em séries da Toei no papel do Kamen Rider V3, e tendo interpretado o Ao Ranger em Go Ranger - outro tipo caubói com violão e sorriso enigmático - depois de Zubat Miyauchi apareceria em uma dezena de outros tokusatsu, interpretando, inclusive, o Big One de JAKQ e o o chefe de polícia Shunsuke Massaki, de Winspector, Solbrain e Exceedraft.

Série Toei Heroes

Kyodain
Ninja Captor
Zubat

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

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Toei Heroes (V)

E hoje teremos mais heróis clássicos da Toei! Confesso que, até para os padrões do tokusatsu, os de hoje são meio esquisitos...

Akumaizer 3
1975


No centro da Terra, vive o Clã Akuma, composto por demônios - não por acaso, akuma significa "demônio" em japonês. Quando o maligno Mezalord assume a liderança do Clã, ele decide invadir a superfície e escravizar os humanos. Xavitan, filho de um demônio com uma humana, é contra a invasão, foge para a superfície, e passa a dedicar sua vida a frustrar os planos de Mezalord, que envia outros demônios atrás dele. Dois desses demônios, Evil e Gabra, após enfrentarem Xavitan, veem que ele é que está com a razão, e se rebelam também cobntra Mezalord. Juntos, os três formarão a equipe Akumaizer Three, e combaterão os demônios que Mezalord envia para a superfície.

Xavitan, de armadura vermelha e preta, é um excelente espadachim, mestre no manejo de sua espada Zarado, e tem nos ombros dois canhões, conhecidos como Xavitan Nova. Suas outras habilidades incluem ficar invisível, transformar animais em objetos inanimados e assumir a aparência de qualquer humano. Quando vem à superfície pela primeira vez, Xavitan conhece o repórter Shima Ippei, e até assume sua aparência para se disfarçar; mas, ao ver que está colocando o humano em perigo, ele decide assumir outra forma, se apresenta a Ippei como o repórter Takeshi Nagumo, e passa a atuar como seu parceiro.

Evil, de armadura amarela, é um atirador de elite enviado por Mezalord para matar Xavitan no primeiro episódio. Os dois se enfrentam em batalha, Evil perde, e Xavitan, sabendo que Evil jamais havia matado ninguém, decide poupar sua vida. Comovido, Evil decide se unir a Xavitan na luta contra Mezalord. Sua principal arma é a metralhadora Jo Gun, que pode se transformar na espada Erado. Evil possui um golpe especial poderoso, o Evil Finish, a habilidade de se transformar em qualquer objeto inanimado, e um ponto fraco: toda vez que vê seu próprio reflexo, fica imóvel como pedra.

Gabra, de armadura vermelha e azul, é extremamente forte, mas um tanto estúpido. Após Evil falhar, ainda no primeiro episódio, Mezalord o envia para eliminar Xavitan. Mais uma vez, após ser derrotado e ter sua vida poupada, Gabra decide se unir à dupla que deveria combater e muda de lado, completando o trio. Além de sua grande força, Gabra usa como arma uma maça chamada Denburu, que pode se transformar na espada Garado. Assim como Evil, ele possui um ponto fraco, precisando de água para manter sua força. No episódio 25, Gabra ganha também a habilidade de se transformar no pássaro Gabra Cho, que se parece com uma avestruz.

Além do repórter Shima Ippei, os Akumaizer 3 têm como aliado a demônio Darunia, que traiu Mezalord por ser apaixonada por Xavitan. Ela não combate os vilões diretamente, atuando como uma espécie de contato. No episódio 37, quatro outros demônios, Basugaru, Naamenaameda, Nobera and Nobera Jr, também desertam, se autodenominam "Força da Paz Demoníaca", e passam a também combater Mezalord. A base dos Akumaizer 3 é em uma nave que Xavitan roubou do Clã, chamada Zeidabeck, que, quando não está em uso, fica disfarçada como um antigo navio pirata. Seus principais meios de transporte são as motocicletas Gariber A, B e C, que se unem para formar o veículo de combate Garibird.

Os monstros da semana são os membros do Clã Akuma, que Mezalord envia para destruir Xavitan e dominar a superfície. Normalmente eles são auxiliados pelos Aguma, os soldados do Clã. No episódio 37, é revelado que Mezalord, na verdade, é apenas um testa de ferro do Imperador Demônio Gulliver, que, vendo que seu lacaio não conseguirá cumprir a missão que lhe foi imposta - dominar a superfície - envia um demônio ainda mais poderoso, Gaberu, para destruir os Akumaizer 3.

Criada por Shotaro Ishinomori, Akumaizer 3 não é muito conhecida fora do Japão, mas, por lá, foi um imenso sucesso, sendo hoje considerada cult, e tendo influenciado o mangá Devilman, criado por Go Nagai (de Cutey Honey) e o anime Blue Comet SPT Layzner, criado por Ryosuke Takahasi (de Voltron). Uma curiosidade sobre a série é que, como a maioria dos personagens não tem forma humana, dublês, e não atores, os interpretavam, ficando suas vozes a cargo de famosos dubladores de anime. Outra grande curiosidade é que, até o episódio 24, a série era bastante séria, sendo considerada um dos tokusatsu mais cheios de ação de todos os tempos; por qualquer motivo, entretanto, os produtores decidiram "infantilizá-la" a partir do episódio 25, colocando mais situações de humor e diminuindo as sequências de ação. A audiência, evidentemente, caiu, e nos dois últimos episódios o clima original da série voltou, com, inclusive, um final surpreendente.

Akumaizer 3 foi exibido pela TV Asahi entre outubro de 1975 e junho de 1976, com um total de 38 episódios. No último, Geberu se mostra poderoso demais para os heróis, contando com um escudo que reflete todos os seus ataques, e matando Basugaru, Naamenaameda e Nobera em uma batalha épica. A única forma que Xavitan, Evil e Gabra encontram para destruir o vilão e a ameaça do Clã Akuma de uma vez por todas é um ataque suicida, que acaba matando todos os quatro. Darunia e Nobera Jr. choram enquanto as almas dos Akumaizer 3 sobem aos céus.

No melhor estilo Hollywood, este seria não apenas o final da série, mas o mote para uma continuação, que tentaria manter a boa audiência no horário.

Chojin Bibyuun
1976


Geberu morreu, às custas das vidas de Xavitan, Evil e Gabra, mas o Imperador Demônio Gulliver continua ativo, e já conseguiu um novo exército para tentar dominar a Terra: os Youkai, espíritos malignos vindos do Mundo dos Mortos.

O primeiro a perceber a invasão dos Youkai foi o metafísico Dr. Daima, que também identificou as almas dos Akumaizer 3 subindo aos céus. Para proteger a Terra, ele fez com que essas almas entrassem no corpo de três humanos, se combinando às deles e lhes conferindo incríveis poderes. Surgia assim o Super-Homem Bibyuun.

Bibyuun, de armadura vermelha, é o resultado da fusão da alma de Xavitan com o ginasta Kei Tsukimura. Seus poderes são baseados no fogo, e sua arma é a espada Sky Sword. Bibyuun pode cravar a espada no chão para que ela funcione como uma espécie de radar, que detecta os Youkai, ou para utilizar o Sky Sword Fire. Bibyuun ainda tem a habilidade de materializar objetos desenhando-os na terra com sua espada, e um golpe especial no qual se transforma em uma bola de fogo e destrói os inimigos.

Já a alma de Gabra se combinou ao halterofilista Go Watabe, transformando-o em Zushiin, que tem armadura laranja e se parece com um catcher de beisebol. Os poderes de Zushiin são baseados na terra, e ele possui uma força descomunal. Sua arma é a maça Mokane, que pode ser usada para criar terremotos - batendo com ela no chão com força, logicamente - e suas habilidades incluem a capacidade de perfurar o chão como uma broca e de se transformar em um monte de terra. Em seu golpe especial, Zushiin se transforma em um pedregulho e esmaga os inimigos.

Finalmente, a alma de Evil se combinou com a do nadador Ichiro Suga, resultando em Bashaan, de armadura azul. Seus poderes são baseados na água, sua principal arma é a pistola de água Pepe, e ele pode se transformar em uma fonte de água ou em uma enorme bola de água, que afoga os inimigos.

Diferentemente dos Akumaizer 3, Bibyuun, Bashaan e Zushiin podem alternar entre suas formas humanas e demoníacas à vontade, mas, evidentemente, só têm poderes quando transformados. O Dr. Daima atua como seu mentor, e sua principal aliada é a policial Lisa Akechi. Sua base é o avião Crimson Shark, que possui inteligência própria, e pode alternar seu tamanho entre o de um avião normal e o de um aeromodelo. Nos primeiros episódios, Crimson Shark ficava voando pela cidade à procura de Youkai, chamando Bibyuun, Bashaan e Zushiin quando os encontrasse. Cada um dos três heróis tem também sua própria motocicleta, sendo que a de Bibyuun se parece bastante com Garibird.

Os vilões eram os Youkai, liderados pelo Imperador Demônio Gulliver, que só mostrou sua verdadeira face no episódio 24 - desde o episódio 37 de Akumaizer 3, ele só aparecia como um painel de luzes piscando. Assim como na série anterior, Gulliver comandava os Youkai à distância, desta vez o comando direto cabendo a dois Youkai, Shindo e Birin. Curiosamente, no episódio 24, Shindo e Birin mudariam de lado, e passariam a fornecer informações sobre os Youkai para os heróis.

Também criação de Shotaro Ishinomori, Chojin Bibyuun teve 36 episódios, exibidos na TV Asahi de julho de 1976 - estreando uma semana depois de Akumaizer 3 chegar ao fim - a março de 1977. As aparências de Bibyuun, Bashaan e Zushiin eram esboços de Ishinomori para as séries do Kamen Rider, que acabariam não sendo aproveitados nelas. Bibyuun não fez tanto sucesso quanto Akumaizer 3, e hoje é bem menos lembrada que sua antecessora.

The Kagestar
1976


Kageoh Sugata era um titereiro - o profissional que trabalha com teatro de marionetes - que, para poder pagar suas contas, aceitou um emprego burocrático em uma grande corporação. Quando a filha de seu chefe foi sequestrada, Sugata e a secretária Suzuko Kazamura, que presenciaram o crime, partiram para salvá-la. Eles conseguiram, mas foram atingidos por uma enorme descarga elétrica no processo. Ao invés de morrer eletrocutados, eles ganharam incríveis poderes: logo Sugata descobriria que adquiriu a habilidade de combinar seu corpio com sua própria sombra, se transformando no super-herói Kagestar!

Kagestar (que se pronuncia "caguestar", e não "queigestar"; kage significa "sombra" em japonês) foi criado por Akira Hirayama, em uma tentativa de fazer um herói de tokusatsu mais parecido com os super-heróis norte-americanos, desde sua origem, passando por seu visual - sua capa é praticamente uma bandeira dos Estados Unidos - até seu nome, que começa com um artigo, coisa que nem existe em japonês. Seguindo esse raciocínio, Kagestar tem até um sidekick, Bellestar, que é ninguém menos que Kazamura, que também ganhou o mesmo poder de se combinar à própria sombra após o choque.

Até mesmo os vilões de Kagestar começam em um esquema mais americano: o arqui-inimigo de Kagestar é Dr. Satan, um ex-cientista nazista megalomaníaco que planeja dominar o mundo. Para isso, ele começa se utilizando de criminosos os quais arma com a mais moderna tecnologia, não muito diferentes de vilões de quadrinhos de super-heróis. Mais tarde, como aparentemente essa fórmula não estava funcionando, Dr. Satan resolve usar sua tecnologia para criar monstros, mutantes e ciborgues obtidos através de animais normais.

Kagestar possui uma moto, chamada Kagerocar, com a qual consegue fazer incríveis acrobacias, e um estranho avião em formato de pássaro, o Kageboosee. Sua principal arma é uma pistola de raios, parecida com uma lanterna, e sua capa pode se transformar em várias armas, como espadas e lanças. Seu principal poder, entretanto, é o de controlar sua própria sombra, que pode, inclusive, assumir um tamanho gigantesco para destruir os monstros do Dr. Satan. Bellestar também conta com uma motocicleta, Bellecar, possui uma espécie de bracelete com guizo que a avisa quando o perigo está próximo, e acompanha Kagestar em todas as batalhas, mas não tem tantos poderes a mais - aparentemente, o choque que a atingiu não foi tão forte.

The Kagestar também foi exibido pela TV Asahi, entre abril e novembro de 1976, meia hora depois de Akumaizer 3 e Bibyuun. Teve um total de 34 episódios e um filme. Exibido pouco após o episódio 13, foi no filme que Kagestar deu sua guinada em direção ao estilo tokusatsu, com Dr. Satan finalmente se revelando e decidindo criar os monstros que passaria a utilizar contra Kagestar no lugar dos bandidos.

The Kagestar não foi uma série de sucesso. Algo me diz que isso tem a ver com a cara do herói.

Série Toei Heroes

Akumaizer 3
Bibyuun
Kagestar

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Escrito por em 16.5.11 com 0 comentários

Toei Heroes (IV)

Hoje teremos mais um post sobre os heróis clássicos da Toei, com mais criações fantásticas de Shotaro Ishinomori.

Robotto Keiji K
1973


Exibido entre abril e setembro de 1973 na TV Fuji, o Policial Robô K (e esse K se pronuncia "kei") foi o primeiro herói a surgir na esteira de Kikaider, que estreou no ano anterior. Para quem não sabe ou não se lembra, Kikaider era praticamente o inverso dos demais heróis henshin, humanos ou alienígenas de aparência humana que se transformam para ganhar incríveis poderes: originalmente, ele era um androide de incríveis poderes, que se transformava para assumir aparência humana.

Um dia, o produtor Akira Hirayama procurou Ishinomori, criador de Kikaider, com uma proposta que expandiria esse conceito: um androide que não assumisse forma humana, mas simplesmente vestisse roupas para ocultar sua aparência, vivendo dentre os humanos sem que ninguém se importasse. Ishinomori gostou da ideia, e assim nasceu K.

Assim como outra criação famosa de Ishinomori, o Kamen Rider, a origem de K está diretamente ligada à organização criminosa que ele combate, chamada Bad. Diferentemente de outras organizações criminosas que planejavam dominar o mundo, a Bad visava simplesmente o lucro a qualquer preço, agindo com crimes como assalto, sequestro e extorsão, sempre tentando obter a maior quantidade de dinheiro possível. Apesar de seu poder, a Bad seria uma organização criminosa comum, se não fosse pelas habilidades de seu líder e fundador, Kirishima, um cientista brilhante da área de robótica. Graças a ele, a Bad se utilizava não de humanos, mas de robôs com características especiais adequadas ao tipo de crime que iriam cometer (os "Bad Robots"), bem como de ciborgues de aparência humana mas grande força, agilidade e velocidade, armados com metralhadoras e facas, que atuavam como capangas (os "Bad Agents" - pois é, nomes muito criativos).

Graças aos robôs e ciborgues dos vilões, a polícia não era páreo para a Bad, que expandia a cada dia seu império do crime, sem que os valorosos policiais japoneses pudessem fazer nada para impedir. Até que Saori, irmã de Kirishima, decidiu intervir. Também uma cientista brilhante da área da robótica (quem diria), ela decidiu criar um androide superavançado, que combinava emoções humanas a uma força e inteligência sem comparação, além de esconder todo o tipo de arma em seu corpo. A esse androide ela deu o nome de K.

A princípio, K não era muito bem visto pela polícia, mas, conforme ia derrotando os agentes da Bad, passaria a ser mais respeitado, até que todos passaram a tratá-lo como igual. Como não tinha a capacidade de assumir forma humana, no dia a dia, fora das batalhas, K vestia uma calça comproda branca, um jaquetão vermelho, e sapatos, luva e boina amarela - aparentemente, Saori esqueceu de ensiná-lo a combinar roupas ao programá-lo. Quando chegava a hora da batalha, K arrancava sua jaqueta (e o resto da roupa sumia misteriosamente) para revelar seu corpo robótico, que além de ultrarresistente ainda escondia uma metralhadora, um rifle com mira telescópica, um radar, um monitor de TV, jatos nas pernas que lhe permitiam voar por um curto período de tempo, uma pistola que disparava água ou metal líquido, uma arma sônica, granadas, um detetor de metais, um lança-chamas, uma broca, uma serra e um lança-foguetes. Além disso tudo, K ainda tinha um golpe especial com a mão, parecido com aquele golpe de caratê que quebra tábuas, e o "Modo Blow Up", no qual seu corpo ficava vermelho, ainda mais resistente, e com acesso a dois lança-mísseis nos ombros e três lasers na cabeça.

Uma das características mais distintivas de K eram seus olhos, que mudavam de cor de acordo com sua emoção: normalmente, eles eram amarelos, e no Modo Blow Up eram prateados, mas quando K estava triste eles ficavam azuis, e quando estava zangado, vermelhos. Saori também construiu para ele um carro especial, chamado Joker, que possuía sua própria inteligência artificial, podia alcançar a velocidade de 500 Km/h, e ainda passar por pequenas transformações que lhe permitiam voar ou mergulhar a profundidades de até 300 metros. Saori residia em uma grande fortaleza em formato de estátua chamada, apropriadamente, Mother, para a qual K podia ser levado caso precisasse de reparos.

Dentre os aliados humanos de K estavam o Detetive Go Shinjo, primeiro a aceitar sua presença na polícia, e que acabaria se tornando seu parceiro; o informante Jihei Jigoku ("ouvidos do inferno"), que sempre tentava vender informações quentes para a dupla; e o Inspetor-Chefe Daizo Chiba, que relutou o quanto pôde a ter um robô sob seu comando, principalmente porque suas duas filhas eram apaixonadas por ele.

Robotto Keiji K teve 26 episódios e um filme para o cinema, que era uma espécie de resumo da série, com poucas cenas inéditas. Foi exibido no Havaí no final da década de 1970 com o nome de Robot Detective, pelo qual a série é mais conhecida fora do Japão. Além do tokusatsu, K teve um mangá, também escrito por Ishinomori, publicado na Weekly Shonen Magazine no segundo semestre de 1973. Como de costume, o mangá tinha várias diferenças em relação à série, a principal a de que o cérebro de K era orgânico, ou seja, ele era um ciborgue, não um androide. Vale citar como curiosidade que a organização criminosa liderada por Kirishima no mangá se chamava RRKK, e a criadora de K se chamava Reiko, não Saori.

Até hoje, no Japão, K é um personagem muito famoso, tanto que de vez em quando surge um novo policial robô incapaz de assumir forma humana e que às vezes se veste com um jaquetão para homenageá-lo, como o Metal Hero Janperson; o lutador Q, de Street Fighter III; ou o policial Pero, do anime Metrópolis.

Inazuman
1973


No início da década de 1970, Shotaro Ishinomori começaria a trabalhar em uma nova série em anime, chamada Mutant Z, na qual adolescentes com poderes mutantes combateriam vilões também mutantes - qualquer semelhança com os X-Men, lançados uns dez anos antes, provavelmente era mera coincidência. Mutant Z acabou engavetado, mas Ishinomori aproveitaria o que já tinha criado em sua nova série de tokusatsu, Inazuman (o "homem-relâmpago").

Por algum motivo desconhecido, mutantes começam a nascer em meio aos humanos. Alguns deles, deformados e monstruosos, não encontram lugar na sociedade e se revoltam. Surge, então, o Imperador Bamba, autoproclamado líder de todos os mutantes, que funda uma organização conhecida como Shinjinrui (a "nova ordem humana"). O objetivo da Shinjinrui é, simplesmente, exterminar todos os humanos do planeta, para que apenas os mutantes vivam na Terra. E, incidentalmente, matar também todos os mutantes que se oponham a seus planos, pois são aliados dos humanos e merecem morrer.

Para combater a Shinjinrui, o Governo da Terra cria a organização Youth Corps, formada por jovens com poderes mutantes e psíquicos. Dentre esses jovens, se destaca Goro Watari, jovem que teve uma infância extremamente problemática - sua mãe morreu quando ele ainda era uma criança, e sua primeira namorada foi levada por soldados norte-americanos durante a ocupação japonesa - mas que demonstra grande senso de justiça, coragem e determinação. Mais que isso, Goro é um mutante poderoso, o que será revelado durante sua primeira luta contra o exército da Shinjinrui.

Cruzando os braços sobre o peito e proferindo a frase gouriki shourai ("conjurar poder maior"), Goro se transforma em uma criatura conhecida como Sanagiman (o "homem-larva"), de grande força, agilidade e resistência. Sanagiman possui um cinto com um medidor, e a habilidade de converter em energia qualquer ataque proferido contra ele. Quando o medidor avisa que seu poder já está no nível máximo, ocorre uma segunda transformação: cruzando novamente os braços sobre o peito e proferindo a frase chouriki shourai ("conjurar poder definitivo"), Sanagiman se transforma em Inazuman, que tem força, agilidade, velocidade e resistência ainda maiores, alguns poderes baseados em eletricidade, e um cachecol que se transforma em diversas armas, além de um elo telepático com seu carro Raijingo, que pode se controlar sozinho, lançar mísseis e morder inimigos com uma boca escondida no capô.

Inazuman é, na verdade, como sua aparência atesta, uma espécie de mariposa - nos rascunhos de Mutant Z, inclusive, ele tinha asas que lhe permitiam voar e uma prosbócide com a qual absorvia energia. Seguindo esse raciocínio, Sanagiman seria seu estado de pupa, e Goro o estado de lagarta, precisando passar pela forma intermediária para obter os poderes da forma final.

A principal missão de Inazuman enquanto membro da Youth Corps era combater a Shinjinrui, composta por mutantes de diferentes formas e poderes, auxiliados pelo Phantom Army - soldados que lembravam os da Segunda Guerra Mundial, com máscaras de gás e metralhadoras - e comandados pelo Imperador Bamba.

Inazuman foi exibido na TV Asahi entre outubro de 1973 e março de 1974, com um total de 25 episódios e um filme para o cinema, produzido em 3D. Os vilões do filme eram uma organização criminosa diferente, a Despair Army (o "exército do desespero", em inglês), liderada pelo Fuhrer Geisel - que, acreditem ou não, foi batizado em homenagem ao Presidente do Brasil na época, Ernesto Geisel.

A Despair Army tinha um objetivo um pouco diferente da Shinjinrui: exterminar todos os mutantes do mundo, para que somente os humanos vivessem na Terra, incidentalmente matando os humanos que defendessem os mutantes. No episódio 24, esses novos vilões estrearam também na série, onde, como era de se esperar, entraram em conflito com a Shinjinrui,o que fez com que Inazuman tivesse dois inimigos para combater ao invés de um. Pelo menos a rixa entre os dois imperadores do mal levou à destruição do Imperador Bamba, no episódio 25.

Para combater a Despair Army, portanto, Inazuman ganharia uma segunda série, chamada Inazuman Flash, exibida entre abril e setembro de 1974, também na TV Asahi, para um total de 23 episódios. Inazuman ganhou uma nova arma, parecida com um canivete, que lhe permitia lançar raios elétricos, e um novo parceiro, o agente da interpol Arai Makoto, secretamente um ciborgue, que possui motivos pessoais para combater a Despair Army. Inexplicavelmente, toda a Youth Corps sumiu da série, sem que nenhum de seus integrantes aparecesse em Inazuman Flash.

Para todos os efeitos, Inazuman e Inazuman Flash são cosideradas duas séries distintas, mas a continuidade das histórias - afinal, a Despair Army estreia no episódio 24 de Inazuman - e o fato de que o episódio 25 de Inazuman termina com o famoso tsuzuku ("continua") no canto inferior direito da tela faz com que muitos fãs e muitas fontes considerem tudo como uma única série de 48 episódios. Falando nisso, Inazuman Flash também teve um filme para o cinema, no qual os vilões também eram a Despair Army.

Após a estreia do tokusatsu, como era de seu costume, Ishinomori decidiu lançar também um mangá de Inazuman, lançado com o nome de Mutant Sabu. O mangá era muito mais parecido com o rascunho original de Mutant Z, com Inazuman - que agora se chamava Saburo Kazeda, apelido Sabu, daí o nome do mangá - sendo um adolescente com poderes mutantes, que estudava em uma escola própria para adolescentes mutantes e eventualmente enfrentava mutantes malvados na companhia de seus amigos. O Inazuman do mangá tinha asas e podia voar, mas Sabu ainda tinha de passar pelo estágio de Sanagiman antes de poder se transformar nele.

De vez em quando surgem boatos de que um anime de Inazuman estaria sendo produzido, mas até hoje isso não se confirmou. Inazuman fez uma participação especial, entretanto, em um dos episódios do anime de Kikaider, lançado em 2004. Mas esse Inazuman era o do mangá, não o do tokusatsu, que só retornaria em uma participação especial em um filme lançado mês passado em homenagem aos 40 anos do Kamen Rider, chamado OOO, Den-O, All Riders: Let's Go Kamen Riders.

Segai no Shimboru Condorman
1975


Destoando um pouco dos demais heróis de hoje (e da Toei), Condorman não foi uma criação de Ishinomori, mas de Kohan Kawauchi, criador de quatro heróis superclássicos: Gekko Kamen, o primeiro seriado de tokusatsu da TV japonesa; Nanairo Kamen, primeiro tokusatsu da Toei; e dois heróis de muito sucesso produzidos pela Toho, Rainbowman e Diamond Eye. Foi justamente o sucesso desses dois heróis, exibidos na TV japonesa respectivamente em 1972 e 1973, que levou o produtor Akira Hirayama a convidar Kawauchi a criar um novo herói para a Toei.

O jovem Ishin Mitsuya era membro da NGO, uma organização internacional devotada a manter a paz em todo o planeta. Um dia, ele foi enviado para uma missão nos Estados Unidos, onde deveria deter um grupo terrorista que tentava assassinar um político. Durante a missão, Mitsuya e os terroristas se depararam com um raríssimo Dragão Condor, que tentava proteger seu ovo. Os terroristas atacaram o dragão, mas Mitsuya o protegeu, infelizmente morrendo no processo. Em agradecimento, o dragão pediu ao mago Taba Roujin, que morava ali perto e era seu amigo, para fundir o corpo de Mitsuya ao dragãozinho que nasceria do ovo. Através dessa fusão, Mitsuya ressucitou, ganhou incríveis poderes, e se transformou no Símbolo da Justiça Condorman.

Ou quase. O Mitsuya ressucitado não é o mesmo Mitsuya morto, e sim o espírito do Dragão Condor vivendo em seu corpo. Por causa disso, ele não possui nenhuma memória de sua vida, e, ao retornar ao Japão, não reconhece sua família e colegas de trabalho. Taba, então, passa a agir como uma espécie de mentor, guiando-o nessa nova vida e ensinando-o a usar seus poderes para o bem.

O que será bastante necessário, já que os terroristas que a NGO perseguia não eram humanos, mas monstros nascidos das emoções negativas da humanidade, capazes de assumir aparência humana e devotados a mergulhar nosso planeta no caos. Somente Condorman consegue identificar os monstros disfarçados, através de seu poder Condor Eye. Suas armas na batalha eram as adagas Condor Arrows, em formato de penas, que arremessava, e os golpes especiais Condor Hurricane, Condor Thunder e o poderoso soco Shocker Punch, com o qual destruía os monstros. Mais para o final da série, Condorman ganha também a habilidade de voar e a capacidade de se transformar em um dragão, que cospe fogo e tudo.

Além desses incríveis poderes, Condorman possuía um carro, o Golden Condor, que tinha um bico no lugar do capô, podia voar e disparar um raio de calor de seus faróis. Finalmente, Condorman possuía a habilidade de se comunicar com os pássaros, entendendo o que eles diziam e podendo conversar com eles, além de poder estabelecer um elo mental com um pássaro qualquer, através do qual podia enxergar através dos olhos do pássaro em questão.

Enquanto não estava sob a forma de Condorman, Mitsuya ficava com sua família, que não se conformava com sua amnésia e fazia todo o possível para ajudá-lo. A família era composta de seu pai, Gentaro, sua mãe, Tamiko, sua irmã caçula, Yoko, seu irmão mais velho, Ken, e sua cunhada Makoto, esposa de Ken. Ken era o membro mais atuante da família, pois era um repórter, sempre em busca de novas notícias sobre Condorman e os monstros, normalmente em companhia de sua assistente e fotógrafa Maki Oomaeda. Outros personagens de destaque eram a namorada de Mitsuya, Sayuri Terada; Ishimatsu Iwata, um rapaz que trabalhava no mercadinho de propriedade da família Mitsuya; e um grupo de sete crianças conhecidas como Condor Jr. (Nobuyuki, Toru, Hiroshi, Shimizu, Terashima, Takeda e Akemi), para os quais Condorman deu penas douradas com as quais poderiam chamá-lo em caso de emergência. Os Condor Jr. atuavam como detetives mirins, às vezes ajudando Condorman, às vezes tendo de ser salvos por ele por enfiarem o nariz onde não deviam, e normalmente estando sob a guarda de Makoto.

Os monstros que atuavam como vilões da série eram conhecidos simplesmente como Família Monstro (monsuta ichizoku no original). Seu líder era King Monster, nascido da ganância da humanidade. King Monster tinha três rostos, um azul, um amarelo e um vermelho, além de enormes chifres e um terceiro olho no rosto azul, com o qual podia lançar raios mágicos. Sua base de operações era no Empire State Building, de onde enviava seus asseclas, disfarçados de humanos, para espalhar o terror pelo planeta. Outros monstros de destaque eram o cientista Madosaienda, o assassino profissional Gamma Dan e o general Red Batton, que comandava os Gokibura, soldados da Família Monstro que se pareciam com baratas gigantes.

Condorman teve 24 episódios, exibidos entre março e setembro de 1975 na TV Asahi, além de um filme para o cinema, que, assim como o de K, era uma espécie de resumo da série.

Série Toei Heroes

Robotto Keiji K
Inazuman
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

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Toei Heroes (III)

Hoje temos mais um post dedicado aos heróis clássicos da Toei, principal produtora de tokusatsu do mundo, no qual veremos três séries do início da década de 1970.

Suki! Suki!! Majou Sensei
1971


Como vimos no post anterior, em 1967 a TV Asahi procuraria a Toei com uma proposta de exclusividade, segundo a qual todos os seus tokusatsu seriam exibidos pelo canal. A Toei não se interessaria, e preferiria produzir tokusatsu para a Asahi seguindo o contrato padrão, o que a deixaria livre para receber propostas de outros canais. Por incrível que pareça, ambos os lados saíram ganhando com essa recusa: em 1971, a Toei ofereceria à Asahi uma nova série, chamada Kamen Rider, cujo sucesso faria com que a emissora se tornasse sua principal parceira, o canal no qual a Toei exibiria a maior parte de seus seriados, que, tirando uma ou outra exceção, sempre garantiriam à Asahi boa audiência. E, como queria, a Toei pôde se manter no ar em dois canais diferentes ao mesmo tempo, já que, pouco depois da estreia de Kamen Rider, receberia uma proposta para criar uma série para o canal ABC (que significa Asahi Broadcasting Corporation, mas não tem nada a ver com a TV Asahi, que, na época, ainda se chamava NET, nem com a ABC dos Estados Unidos).

Suki! Suki!! Majou Sensei (que traduz para algo como Nós Te Amamos, Professora Bruxa!) era uma adaptação de um mangá muito famoso na época, chamado Sen no Me Sensei, a "professora de mil olhos". Escrito por Taro Akira e publicado desde 1968 na revista semanal Teen Look, o mangá era destinado às meninas, e tinha como protagonista a professora Hikaru Tsuki. Secretamente uma alienígena de um universo distante (!), Hikaru tinha incríveis poderes, que incluíam a capacidade de voar e de encolher objetos ao seu bel-prazer. Ela até usava esses poderes para combater o crime, mas sua principal atividade era agir como conselheira e amiga de uma turma de estudantes recém-transferidos para uma escola do Ensino Fundamental de Tóquio. O mangá lidava com problemas típicos da pré-adolescência, como a descoberta do amor e o bullying, com a professora Hikaru fazendo o seu melhor para ajudar seus alunos a superar essa tão conturbada fase da vida - e de vez em quando usando seus poderes para punir os alunos mais levadinhos.

A série em tokusatsu foi criada por Shotaro Ishinomori (mesmo criador de Kamen Rider) e teve 26 episódios, que foram ao ar de outubro de 1971 a março de 1972. Até a metade da série (metade mesmo, até o episódio de número 13, que ainda por cima foi o último ao ir ao ar em 1971), o tokusatsu era bastante fiel ao mangá. Exceto por uma ou outra intervenção de um monstro espacial, a principal função de Hikaru era aconselhar as crianças, e, quando ela usava seus poderes, continuava com sua aparência normal.

Em determinado momento, entretanto, alguém deve ter achado que isso não estava muito "tokusatuesco", e, no episódio 14, Hikaru ganhou uma identidade secreta, a da heroína Andro Mask (curiosamente, "andro" é um prefixo mais usado para características masculinas; talvez o mais correto fosse "Gino Mask"), um arqui-inimigo, Phantom, e os episódios passaram a se comportar como um tokusatsu normal, cada um com um monstro da semana e com a principal função de Hikaru sendo combatê-los, com as pobres das crianças ficando em segundo plano.

Apesar dessa meio-bagunça, Majou Sensei foi uma série de grande sucesso, muito elogiada por seus efeitos especiais e por seu figurino caprichado - enquanto o Kamen Rider vestia um casaco Adidas e se transformava com um efeito tosco, Andro Mask tinha um lindo uniforme e se transformava com efeitos que só seriam vistos em séries da Toei anos mais tarde. Além disso, Majou Sensei foi visionário, já que outro seriado de ação destinado a meninas e protagonizado por uma mulher não estrearia no Japão até 1985, quando a própria Toei adaptaria o mangá Sukeban Deka (a "colegial detetive"), cuja protagonista é uma estudante que também é agente secreta.

Graças a Majou Sensei, a atriz que interpretava a professora Hikaru, a linda ex-modelo Yoko Kiku, se tornaria uma das atrizes mais famosas e requisitadas do Japão, estrelando dezenas de séries e filmes nos quatro anos seguintes. Infelizmente, em 1975, aos 24 anos, Yoko morreria enforcada por seu namorado em sua própria casa. À polícia, ele diria ter ciúmes de sua carreira, e ter tido um acesso de fúria quando ela disse que desejava terminar o namoro.

Chojin Barom-1
1972


No final de 1971, graças ao sucesso do Kamen Rider, a Toei foi procurada por executivos da TV Yomiuri. Conhecido por exibir anime, o canal achou que seria um bom momento para investir em tokusatsu, e quis que a mesma companhia do Cavaleiro Mascarado fosse a responsável pela produção de seu primeiro seriado. Após conversas entre o diretor do departamento de TV da Toei e o produtor da Yomiuri, chegou-se a uma definição sobre como seria a série, e que ela seria, mais uma vez, a adaptação de um mangá de sucesso - aparentemente porque em time que está ganhando não se mexe.

Barom One foi um mangá de relativo sucesso, escrito por Takao Saito e publicado durante quase todo o ano de 1970 na revista semanal Shukan Bokura Magazine. Curiosamente, o herói e personagem título era pouco mais que uma cópia do National Kid (que, por sua vez, tinha muito em comum com o Super-Homem): um alienígena com superforça e capaz de voar, que usava como armas duas pistolas de raios e defendia a Terra de ameaças do espaço sideral. Quando Barom One foi escolhido como mangá a ser adaptado, entretanto, Shotaro Ishinomori fez as modificações necessárias para que a série tivesse as características que já estavam estabelecidas como próprias do tokusatsu, como os monstros da semana e o henshin (a transformação do protagonista sem poderes em um herói mascarado). O resultado foi que o tokusatsu acabou ficando completamente diferente do mangá, com os únicos pontos em comum sendo os nomes do herói e do vilão. Apesar de ter dado cara nova à série, desta vez Ishinomori não se envolveu com a produção, que ficou a cargo de Akira Hirayama, que trabalhava com Ishinomori em Kamen Rider.

No universo de Barom-1 existem duas forças opostas que vagam pelo universo: Doruge é a encarnação do mal, existindo para criar caos, conflito e destruição; enquanto Kopu é a força do bem e da paz. Um dia, Doruge chega à Terra, e começa a infectar as criaturas do planeta com suas células malignas, que fazem com que elas se transformem em monstros. Durante o primeiro ataque desses monstros, dois jovens amigos, Takeshi Kido e Kentaro Shiratori são salvos por Kopu. Kopu lhes revela que eles são parte de uma antiga profecia, e que receberão poderes para proteger a Terra e acabar com a ameaça de Doruge de uma vez por todas. Com esses poderes, toda vez que os amigos dão as mãos, se transformam no Super-Homem Barom-1.

Barom-1 tem dois metros de altura, superforça, é imune a doenças e venenos, pode resistir a calor e frio intensos, correntes elétricas, à pressão esmagadora do fundo do mar e até ao vácuo do espaço. Apesar de ele ter uma certa personalidade própria, ambos os amigos continuam no controle durante a transformação, com o brilhante Kentaro sendo responsável por sua inteligência e o atlético Takeshi por sua coordenação motora. Nessa dualidade é que está o principal ponto fraco de Barom-1: os amigos devem estar sempre em perfeita sincronia para que o herói atue; se eles se desentenderem ou brigarem entre si, a transformação cessa imediatamente, e eles voltam apenas a ser dois estudantes. Se eles estiverem de mal ou brigados, não conseguem nem fazer com que a transformação ocorra.

O arqui-inimigo de Barom-1, Doruge, é uma criatura espacial semi-sólida e com poderes telepáticos, que cria os monstros da semana (chamados Dorugeman) injetando suas próprias células em criaturas da Terra. Doruge pode assumir aparência humana, na qual posa como um homem rico em uma cadeira de rodas, que conta com dois servos humanos para fazer parte de ser trabalho sujo. Além desses servos e dos monstros da semana, ele conta com um exército de estranhas criaturas chamadas Antoman, que brotam do chão para espalhar destruição e levar porrada de Barom-1.

Barom 1 teve 35 episódios, exibidos entre abril e novembro de 1972. Em dezembro de 2002, em comemoração pelos 30 anos da série, Barom-1 ganhou uma versão em anime, produzida pela Enoki Films com 13 episódios (se eu não me engano, chegou a passar aqui no Brasil no Animax). A história é mais ou menos a mesma do tokustasu, mas, no anime, a força do mal se chama Gaumont, e chega à Terra no dia em que Kentaro e Takeshi nascem - ambos no mesmo horário. Quando os dois amigos completam 14 anos, as criaturas malignas de Gaumont começam a atacar, e então eles recebem a visita de Kopu, que lhes dá braceletes que permitem que eles se transformem em Barom-1.

Henshin Ninja Arashi
1972


Em 1972, a Toei já era um estúdio respeitado, procurado por todos os canais do Japão para a produção de tokusatsu e anime. Lá em 1967, entretanto, quando ela decidiu retornar ao mercado, quem apostou em seu seriado de ninja foi a TV Fuji. Assim, quando a TV Fuji procurou a Toei com um novo seriado de ninja em mente, ela não se negou a produzi-lo, mesmo já estando envolvida com Kamen Rider, Majou Sensei, Barom-1 e Kikaider - que também estrearia na TV Asahi em 1972.

No melhor estilo japonês, além de aceitar a tarefa por uma questão de honra, a Toei ainda quis fazer o melhor trabalho possível: quando a TV Fuji disse que, dessa vez, seria um seriado de ninja mais tradicional, com respeito aos dados históricos, sem os elementos fantásticos de Akakage, a Toei separou uma equipe de pesquisa especialmente para estudar o Japão feudal e a vida dos verdadeiros ninjas. Locações no interior, incluindo castelos, foram selecionadas a dedo. Na verdade, o seriado estava ficando tão realístico que a TV Fuji mudou de ideia, e pediu que a Toei inserisse alguns elementos fantásticos, com medo de as crianças e adolescentes não se interessarem pela série se ela não os tivesse. O resultado dessa pitada fantástica em uma série que seria originalmente um drama histórico foi Tempestade, o Ninja que se Transforma.

Em meados do século XVII, o maligno clã ninja Chisato lança uma ofensiva para dominar todo o Japão. Secretamente, o clã é comandado pelo demônio Dai Maoh, que planeja dominar todo o planeta. Um dia, o jovem Hayate, cuja família serviu ao clã por gerações, descobre esse terrível segredo. Hayate, então, deixa o clã, e passa a lutar contra eles, para tentar frustrar os planos de Dai Maoh. A ele mais tarde se unem um ninja do clã Iga, rival dos Chisato, chamado Tatsumaki; a filha de Tatsumaki, Kazumi, que possui conhecimentos médicos e por quem Hayate acaba se apaixonando; o garoto Tsumuji, irmão de Kazumi, um ninja em treinamento que, adivinhem, costuma se meter em algumas confusões; e o misterioso Tsukinowa, um espadachim mascarado com um arsenal quase infinito de espadas, machados e lâminas, que veio do oeste para enfrentar os Chisato. Hayate conta ainda com a valiosa ajuda de seu cavalo Hayabusa e do espírito de seu pai, que surge para aconselhá-lo em momentos de necessidade.

Hayate já é um ninja completo, com todas as habilidades que um ninja pode ter, mas ainda possui uma habilidade secreta: ao se concentrar e pronunciar uma frase secreta, o cérebro de Hayate produz ondas de energia que reconfiguram as células de seu corpo (ok, era pra ser uma pitada de fantasia, alguém aparentemente errou a mão), transformando-o no ninja Arashi ("tempestade"), que, apesar de uma armadura meio ridícula, possui agilidade e velocidade incomparáveis, além da habilidade de lançar raios mágicos pelos olhos uma vez por episódio. Os poderes de Arashi são necessários para enfrentar os ninjas e as estranhas criaturas do clã Chisato, que, imbuídos de magia negra, se mostram fortes demais para que Hayate os derrote apenas com suas habilidades de ninja. Curiosamente, parece que as ondas cerebrais de Hayate não alteram apenas as células de seu corpo, mas também as de seu cavalo, já que, toda vez que ele se transforma em Arashi, Hayabusa ganha um uniforme de batalha.

O clã Chisato é composto de 200 ninjas, teoricamente liderados por Majin Sai, que, através de um antigo livro de fetiços, conseguiu acesso a técnicas que o tornam praticamente invencível. Outro membro de destaque do clã é Gaikotsu Maru (o "esqueleto"), que usa uma máscara de caveira, um chicote como arma e, graças à magia negra de Majin Sai, é imortal. Além dos ninjas tradicionais, o clá se utiliza de criaturas chamadas Keshin, ninjas monstrusosos criados por magia negra, e, mais para o final da série, dos Akuma Doujin, demônios enviados diretamente por Dai Maoh. Dai Maoh é o verdadeiro líder do clã, um demônio que deu o conhecimento proibido a Majin Sai em troca do uso dos ninjas para dominar o Japão e, mais tarde, o mundo, erradicando a humanidade.

Henshin Ninja Arashi estreou apenas cinco dias depois de Barom-1, mas teve vida mais longeva, tendo 47 episódios e um filme, que, na verdade, foi uma nova versão do episódio 6, com cenas excluídas reinseridas e reformatado em widescreen. Como curiosidade, vale citar que, entre julho e novembro de 1972, a Toei teve quatro seriados no ar ao mesmo tempo em três canais diferentes: Kamen Rider e Kikaider na TV Asahi, Barom-1 na TV Yomiuri e Arashi na TV Fuji.

Logo depois da estreia do tokusatsu, Shotaro Ishinomori (sempre ele) achou que seria legal se Arashi também tivesse um mangá, e decidiu ele mesmo escrever um. Apesar de ainda ter Arashi, o mangá é bem menos fantástico que o tokusatsu, sem a presença de demônios ou espíritos - embora alguns membros do clã Chisato tenham a capacidade de se transformar em animais. O mangá teve 24 edições, com as 12 primeiras sendo publicadas na revista Weekly Shonen Magazine e as 12 seguintes na Kibo no Tomo, com o nome de New Henshin Ninja Arashi. Cada metade (cada 12 edições) é uma história completa, com início, meio e fim.

Um mês após o lançamento do mangá de Ishinomori, o autor Ken Ishikawa decidiu escrever um também, que chamou de Henshin Ninja Arashi Gaiden ("gaiden" é um termo japonês que significa algo como "história alternativa"). Mais fiel ao tokusatsu, esse segundo mangá foi publicado na revista Bouken Oh (o "rei da aventura"), e teve 17 edições. Exceto por reedições dos três mangá (a mais recente de New Henshin Ninja Arashi é de 1998), Arashi não deu mais as caras desde então.

Série Toei Heroes

Majou Sensei
Barom-1
Ninja Arashi

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